segunda-feira, 9 de maio de 2011

AS LETRAS PEQUENAS E OS VELHOS

Plinio Sales

Sou velho mas não sou trapo, eu me chamo experiência. Essa expêriencia nos permite ensinar que por traz de letras pequenas, pode ter uma grande má intenção.

Lembro-me ter lido vários contratos de seguros, planos de saúde e de previdência, bulas de remédio e várias revistas, tendo que me contorcer todo, trocar de óculos, usar lupas, colocar mais longe ou mais perto, para poder ler aquelas letras tão minúsculas que se confundiam com cocô de pulgas.

Hoje no Sheraton num novo boletin orientador e educativo, chamado de “desfrute da praia...Porém, com precaução! A chamada poderia ser melhor, tipo o Sheraton vai à praia com você, para sua segurança. Mas isso, foge ao campo desse artigo que são as letras minúsculas. Fica difícil lê o capítulo de instruções, porque as letras são minúsculas. Só jovens, com visão nova e de lince, conseguem ler com facilidade, mas os hóspedes do hotel, com idade média superior a 50 anos, certamente vão deixar o Starwood na mesa, humilhado por não ter lido.

Os editores de livros, jornais e outro órgão de divulgação, poderiam atentar que a idade média da população está batendo a linha dos 83 anos. Então porque insistir em letras pequenas? Só se for para cumprir obrigação legal e esconder o que publicam.

Sei de estórias de advogados que publicavam publicações em jornais de fraca circulação, nas últimas páginas e em letras tão minusculas para que ninguém lesse para se assenhorar da convocação, do que se trata, etc.

É uma forma de fraude do colarinho branco.

Parece que já há estipulações legais, para obrigar o uso de letras legíveis aos cidadãos, principalmente em favor dos idosos.

Com os meus óculos defasados, nem letras maiores consigo ler. Leio com muita atenção as manchetes e, passo ao largo, por outras matérias.

Rio de Janeiro, 09 de maio de 2011.

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