terça-feira, 3 de maio de 2011

O METRÔ DA VIDA

Plinio Sales

Estamos participando de uma grande viagem, num grande metrô espiritual. Conosco há uma multidão, começando por nossa família, nossos vizinhos, o pessoal da comunidade próxima, dos conhecidos comerciantes que nos fornecem coisas e até nos o crédito semanal ou mensal que ajuda o nosso caixa, sempre contado e desfalcado pelos pedidos extraordinários de filhos e netos.

Some-se a este grupo os amigos dos colégios, os pais das amigas, alguns professores e muitos parentes.

Mistura isso tudo aos amigos dos clubes, das associações dos grupos de voluntários, dos amigos da feira e outras minisociedades de amigos.

Indo mais longe, vem a cidade onde mora, o estado, o pais, o continente e por fim a terra. Viramos, de repente, de 12 familiares a um grupo de 7 bilhões de pessoas.

Todas vivem no grande metrô da vida, portando diversos tipos de bilhetes. Passagem inteira, só um trecho e grátis do idoso e estudante.

A viagem é longa, pode durar pouco, mas em geral está durando quase 100 anos.

Como saber o que vai acontecer nesse percurso. A estação final pode ser na cidade onde nascemos e aí ver a procissão passar, com todos os seus atores e mensagens a proclamar.

Pode entrar por um cruzeiro a dentro, atravessando os mares aventurados pelos descobridores espanhois e portugueses.

E a nossa vida corre junto, dentro do metrô, nascemos, crescemos, casamos, ficamos pais e avós e chegamos a bisavós. O metrô continua a sua marcha, só parando nas estações da vida.

Vejo o movimento de entrar e sair do meu carro. Eu mesmo, saio e volto pro mesmo lugar.

E o metrô continua e já me preparo, assinando um plano do Jardim da Saudade, pensando em não dá trabalho aos meus filhos e netos. É a metafísica do metrô.

As vezes me encontro com o motorneiro, que sempre nos dá boas vindas pois vai nos dirigir com a melhor perícia, apenas com alguns sacolejos inesperados no caminho, por causa de obstáculos inesperados. Alguns forçam as portas, tentando melhorar suas posições, mas não dá: o destino é certo.

Imaginem um grande metrô, conduzindo 7 bilhões de pessoas, por tantas linhas e destinos variados.

Precisa de um motorneiro chefe, que possue vários nomes: Cristo, Maomé, Alah, Buda, Confúcio, Pai Joaquim da Guiné, Krisnha, Earx, os Beatles, o nosso Roberto Carlos e tantos outros e, no fim, propõe simplismente:

“Deixa a vida me levar,

A vida leva eu!”

Estou no metrô da vida, pensando porque, para que e onde vou.


Rio de Janeiro, 27 de abril de 2011

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