Plinio Sales
Estamos participando de uma grande viagem, num grande metrô espiritual. Conosco há uma multidão, começando por nossa família, nossos vizinhos, o pessoal da comunidade próxima, dos conhecidos comerciantes que nos fornecem coisas e até nos o crédito semanal ou mensal que ajuda o nosso caixa, sempre contado e desfalcado pelos pedidos extraordinários de filhos e netos.
Some-se a este grupo os amigos dos colégios, os pais das amigas, alguns professores e muitos parentes.
Mistura isso tudo aos amigos dos clubes, das associações dos grupos de voluntários, dos amigos da feira e outras minisociedades de amigos.
Indo mais longe, vem a cidade onde mora, o estado, o pais, o continente e por fim a terra. Viramos, de repente, de 12 familiares a um grupo de 7 bilhões de pessoas.
Todas vivem no grande metrô da vida, portando diversos tipos de bilhetes. Passagem inteira, só um trecho e grátis do idoso e estudante.
A viagem é longa, pode durar pouco, mas em geral está durando quase 100 anos.
Como saber o que vai acontecer nesse percurso. A estação final pode ser na cidade onde nascemos e aí ver a procissão passar, com todos os seus atores e mensagens a proclamar.
Pode entrar por um cruzeiro a dentro, atravessando os mares aventurados pelos descobridores espanhois e portugueses.
E a nossa vida corre junto, dentro do metrô, nascemos, crescemos, casamos, ficamos pais e avós e chegamos a bisavós. O metrô continua a sua marcha, só parando nas estações da vida.
Vejo o movimento de entrar e sair do meu carro. Eu mesmo, saio e volto pro mesmo lugar.
E o metrô continua e já me preparo, assinando um plano do Jardim da Saudade, pensando em não dá trabalho aos meus filhos e netos. É a metafísica do metrô.
As vezes me encontro com o motorneiro, que sempre nos dá boas vindas pois vai nos dirigir com a melhor perícia, apenas com alguns sacolejos inesperados no caminho, por causa de obstáculos inesperados. Alguns forçam as portas, tentando melhorar suas posições, mas não dá: o destino é certo.
Imaginem um grande metrô, conduzindo 7 bilhões de pessoas, por tantas linhas e destinos variados.
Precisa de um motorneiro chefe, que possue vários nomes: Cristo, Maomé, Alah, Buda, Confúcio, Pai Joaquim da Guiné, Krisnha, Earx, os Beatles, o nosso Roberto Carlos e tantos outros e, no fim, propõe simplismente:
“Deixa a vida me levar,
A vida leva eu!”
Estou no metrô da vida, pensando porque, para que e onde vou.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2011
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