quinta-feira, 26 de maio de 2011

A BAIXARIA DOS IRRACIONAIS

Plinio Sales

O coração tem razões que a própria razão desconhece. Essa é uma frase de efeito que culpa o coração pelos desmantos da mente. No estado normal, isento de combustível, a pessoa tem o comportamento dentro de certos padrões, agindo com bom senso e racionalidade.

Faz aquilo que se espera que faça, como todo mundo faz. São os racionais: usa a razão.

Agora, se foge do estado normal, motivado por preconceitos, postulados religioos, interesses imediatos ou combustível alcoólico, tornam-se capazes de mentir, fraudar, cometer adultério, fazer coisas que a gente espera que não façam.

Um dos exemplos mais comuns é maltratar animais, botar crianças de castigo por qualquer pirraça, desrespeitar por vício os mais velhos, ser consumidor de drogas, cigarros e alcool sem controle. Tornam-se irracionais, os sem razão.

Ambos os modos de comportamentos: os racionais e os irracionais, defendem os seus atos com a ênfase da legítima defesa. O que confirma a tese do Caetano Veloso de “ninguém visto de perto é normal.”

Posso citar dois exemplos próximos, produto simples da bebida. O controle das mentes humanas, pode ser comparado, com o controle do som do rádio pelo dial. Roda um pouco pra direita se quisermos som mais alto, ou pra esqueda se quisermos baixar.

No caso da mente do bebedor contumaz, ainda não alcoólatra, o dial é o número de doses ou cervejas que bebe. Até certo nível dá pra conversar, com bom senso, solto e com certo controle, diz coisa com coisa. Ao passar de certo ponto, ai é que a porca torce o rabo. Torna-se outra personalidade, vira o Imperador ou a Rainha de Sabá, dando ênfase a todas as suas neuras reprimidas. Passam a discutir com cachorros, até com violência, exigindo comportamento humano, duelam como se, ambos, fossem irracionais. Se o cachorro é pequeno, só pode rosnar e levar porrada. Se for a Hanna, os argumentos serão outros porque a falta de razão também tem sua dose de covardia.

Ha outras pessoas que apenas assume nova personalidade, depois das 15 horas, com 4 cervejas na cabeça. Vira Vasco, passa ser a chefe cheia de razão, também discute com cachorro, mas aflora os sentimentos maternais exagerados. Tornam-se também irracionais.

Com os racionais, podemos dialogar usando os princípios da lógica. Com os irracionais, prepare-se para as agressões verbais e até chegar as vias de fato.

Como agir diante desses casos. Com os racionais é fácil, basta ouvir e responder com bom senso. São mansos e respeitosos.

Com os irracionais é melhor deixa-los a falar sozinhos, ora pois, pois...

Fica assim, cada um no seu quadrado, evitando trafegar pela baixaria dos irracionais.


Rio de Janeiro, 23 de maio de 2011

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