Plinio Sales
Sem aviso as trovoadas anunciavam uma tormentosa chuva de abril, quase maio. Já foram chuvas de março, cantadas por Jobim e Elis Regina.
São lágrimas da natureza, completando o cíclo sol, mar, nuvens, chuvas, rios, lagos e novamente mar. No meio de tudo o vento forte, empurrando as nuvens em colisão, provocando raios (primeiro) e trovoadas (depois), diferenciados pela velocidade da luz e velocidade do som.
Nesse concerto harmônicop dos fenômenos da natureza, se escondem os passaros, se assustam os cães que não entendem essa barulhada toda.
Os telhados de zinco furados, movimentam as providencias para afastar poltronas, mesas e cadeiras e cobrir os objetos molháveis.
Mude o olho do satélite em direção ao Nordeste, seco e sem chuva há meses. A mão de Deus teria condições de jogar um pouco de chuva no Cariri, regando o chão seco e fazendo brotar as leguminosas, a mandioca e o sisal, evitando mexer no São Francisco, capaz de desequilibrar a harmonia da natureza.
Tantos são os fenômenos incompreendidos, que precisamos ir além da fé para aceitar essa penitencia divina.
Mas as árvores banham-se felizes, absorvendo em suas folhas e raízes a regada monumental dessas chuvas do fim do verão. A minha robusta amendoeira , veterana com mais de cem anos, comenta, nas suas vozes com suas irmãs: “eta chuva gostosa!”
As veias líquidas da Serra do Mar se enchem e se oferecem para gerar energia barata. E daí, só se pensa em extrair petróleo do Mar, destruindo a qualidade do meio ambiente, jogando toneladas de CO2 na atmosfera. É o erro histórico dos capitalistas do Texas, agora difícil de contrariar para não ferir tantos interesses fortemente encastelados nas sombras do poder. Ledo engano do Obama ao declarar seu grito de campanha: “ We can”. Na prática, ninguém pode, somente as forças ocultas que se mexem nas caladas das noites em reuniões nada publicanas. Veja o exemplo dos políticos do PT, vieram de uma ilusória esquerda para ingressarem no mais aguerrido sistema capitalista de estado, onde eles dão as cartas para bater nos mais ignorantes, fãs do Fidel Castro.
As margens disso tudo, a chuva bate forte.
No fundo, “bate...bate... levemente, será chuva? Será gente? Chuva não é certamente e gente não bate assim!”
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário