Plinio Sales
Se juntarmos todas as mães numa só, verificariamos ter criado um clone da Virgem Maria, representando amor, sofrimento e resignação.
A mãe se forma nos exemplos da própria mãe, da avó e de outras mães. São muitos e diversos, todos movidos pelo combustível do amor.
A força educativa, orientadora e de irmã é determinante na formação e na correção do caráter de uma pessoa, seja pobre ou seja rica. O amor da mãe é tão poderoso que se transfere para animais de estimação, sem falar nos filhos adotivos. Há exemplos desse modo de proceder no reino animal, tomando conta de crias, até mesmo de crias dos outros.
Quem não viu o brilho nos olhos das mães, quando participam de eventos onde seus filhos são vencedores. Pode ser de qualquer coisa. Ao formar o filho na Escola do Mestre Dionísio, galgando a categoria de Mestre Sala e Porta Bandeira, são alunos de mães orgulhosas das comunidades pobres. Na escolinha do Zico, fomando atletas e jogadores de futebol. Nos colégios, nas faculdades, nas universidades, nos cursos de formação profissional do Senac, Sesi, Cefetec e outros. Já não falo dos MBAs da FGV, de Harvard, da PUC e similares, embora de elite que tambem não fogem do manto protetor do amor das mães, que o instinto universal.
Por essa simples fórmula se cura drogados, regenera transviados, reforma presidiários e outros males similares. Todos os individuos, ao praticar atos ilegais, se remoem, questionando o que a mãe diria se visse o que estaria fazendo.
Conversando com um jovem, transtornado pelo vício, na madrugada, perguntei o que faria pela mãe, respondeu-me de pronto: tudo até assaltar, roubar e matar foi o que lhe veio a mente. É a forma de amor que está na cabeça dele. Não existe a figura do pai protetor. Só pensa na mãe que chora os seus procedimentos.
Sou procurado para resolver problemas de mães de filhos que se desviaram para caminhos condenados. As vezes transitóriamente e as vezes com pena de morte.
Defendo a tese de que o Estado faria melhor se deixasse por conta das mães a reforma dos seus dependentes presidiários, seguindo um manual. Seria empregar o método da D. Zilda Arns na recuperação dos presos, com a maior arma que a humanidade conhece: O amor de mãe!
O ato de dar presente é muito simbólico e um grande benefício para os comerciantes quando anunciam contentes que a venda essa ano foi 5% maior do que a do ano passado. Cabe perguntar: quanto desses 5% se traduz em kilos de amor de mãe. Quanto e só formal, obrigação e até presentes sem cor, sem canção e sem amor.
Por minha mãe presenteio outras mães, sigo o exemplo da minha prima Odette Sales que se pudesse daria até a roupa do corpo.
Com orgulho dizemos: mãe só tem uma, e não é Coca-Cola na geladeira.
Rio de Janeiro, 05 de maio de 2011
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