quinta-feira, 26 de maio de 2011

A FILOSOFIA DO NADA

Plinio Sales

Se partíssemos do conjunto zero para definir o nada, seria muito pouco. O nada é um grande fato de virarmos o avesso do tudo, do pleno (full), do completo, do ser, nem com o microbinóculo encontrariamos o nada até por definição do que o nada é nada.

Todos os agentes, humanos ou não, estão no movimento de fazer alguma coisa. Desde o primário comer, beber, produzir resíduos, olhar o mar como Caimmy, pôr uma rede, sirver a água do cocô e outras mínimas. O nada é quase impossível. Há faquires e pensadores indianos especialistas em ficar imóveis durante dias, meses e anos, mesmo sem se alimentar, mas tem quer respirar e expirar, numa permanente diástole. Por mais inerte que sejam microorganismos aéreos penetram pelas narinas, pelos ouvidos e pela boca para alimentar o organismo que se movimenta, com o baticum do coração.

O Fernando Pessoa disse que há muita filosofia em não se fazer nada, mas como estar ou passar no nada. Se o nada não existe, por definição, como trabalhr o que não existe. Mesmo que a Renata, o Pedro Paiva, o Sr. Antonio (Tuninho), queiram e treinam em não fazer nada. O “alguma coisa”, o biscate, o processo arrastam as suas vontades para olhar ou fazer um serviço.

Tentem, por alguns minutos, em não fazer nada. Parar de pensar. Não afastar os problemas. Esquecer Deus. Enfim, ser um conjunto vazio, por fora e por dentro. É impossível. O nada não existe. Está em todos os lugares, é como a anti-matéria. O nada é o anti-tudo. O nada tem energia e se transforma em alma e no espírito.

Manda dizer: nesta sessão estou recebendo o “nada”.

Pede me para não fazer nada, deixar o meu inimigo em paz: esta é uma ação de não fazer nada.

Há o universo do nada, que os cientistas chamam de buraco negro, onde tudo desaparece. É outra falácia, porque nada (outra vez o nada) desaparece, se transforma, como diz Lavoissier. Ser negro, pode-se dizer apenas que falta a luz branca ou mista como se conhece. Mas as corujas e outros animais conseguem ver a luz negra.

Vamos reformar os conceitos de que o nada é nada, que o buraco negro é comedor de criancinhas, que só tem luz branca e outras anti-lógicas. É preciso mudar as bases Aristotélicas dos pensamentos. Vamos pensar num mundo sem lógicas, no mundo dos “quasares”, dos “quantas” ou nos transportar para o microuniverso, onde somos menores que as bactérias.

Imaginem Deus, olhando pra nós por um potente microscópio, e exclamar: “Pra onde vão essas criaturinhas, neste nada-tempo ou neste nada-espaço.”

A filosofia do nada é apenas uma falácia. É melhor deixar pra lá e dizer: “O nada não existe e loura não paga.”


Rio de Janeiro, 20 de maio de 2011

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