quinta-feira, 26 de maio de 2011

AS CONTAS TORTURANTES NO CALCANHAR

Plinio Sales

Tem coisas inexoráveis, impossíveis de evitar. As principais são nascer e, passado algum tempo (hoje em média 83 anos), morrer. O melhor é se surpreender quando ela, com a sua foice chega e nem pergunta: Está pronto? E te leva. As vezes suave e às vezes abruptamente. Muitas vezes por erro de construção, nos casos prematuros, sem acidente.

Existem outras coisas inexoráveis. Por exemplo pagar impostos: todos pagam.

A maioria não vê quanto perde de imposto (qualquer tipo) ao comprar um alfinete, a cesta básica ou um avião. Esse paga do nascer ao morrer. Chama-se obrigação do passageiro, esse belo tipo faceiro que está ao seu lado.

E se vão listando outras tantas obrigações.

A mais torturante que está nos nossos calcanhares são as contas implacáveis: aquelas que se você não pagar cortam unilateralmente os serviços essenciais. Luz, gás, água, telefone, internet e outros. Quando se trata de serviços públicos concedidos pelo estado, considero esse ato de lesapátria inconstitucional.

As contas atrasadas dos serviços fundamentais, previsto na constituição, deveriam ser debitados contra as autoridades impostoras e compensados contra impostos coletivos. É fora de questão deixar cidadão sem luz, sem telefone ou internet, porque momentâneamente faltou recursos para pagar. No mínimo deveria consultar o histórico de pagamentos do cidadão consumidor, quanto a sua relação de pagamentos. Se o serviço está sendo fornecido é porque ele é bom pagador. E se o serviço é obrigação do estado, quem tem que comparecer no caixa do cobrador é esse grande Leviatã.

Essas contas não podem ser iguais ao “band-aid” da Ellis Regina no calcanhar.

É uma vergonha! Como diria o Boris Casoy, parodiando madame Bovary.


Rio de Janeiro, 19 de maio de 2011

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