Plinio Sales
Estamos no começo de maio, sendo alvo do marketing de um império que teima em sobreviver. São milhares de horas-comunicação para dizer que um principe vai casar com uma plebeia. Ninguém pergunta o que ele fez para ser principe, e o que ela fez pra ser plebeia. E o que é ser plebéia? Uma grande massa não sabe, pensa que é uma marca de batom ou de camisola.
Virando a lente da notícia, se ouve que uma jovem mãe, que não pode casar com um, plebeu, coloca sua filha recém nascida na lixeira por não poder sustentá-la. São dois extremos do mesmo problema. Chama-se o curso da vida que tem comprimento, direção e sentido. O módulo poderia ter sido invertido: o principe não seria principe e a plebeia seria princesa. A mãe da lixeira poderia ter sido a senhora do Santo Graal.
Ajustando os dois fatos, um ao lado do outro, fazendo o principe achar a criança descartada e, decidindo de repente, casar com a mãe dela sem esperança de vida. Deus faria um belo conserto e os noveleiros teriam um grande evento para divulgar.
Mas a vida não tem disso e vai continuar, mas vale perguntar: quem fez o principe e quem será a criança descartada. Nenhum dos dois tem culpa ou compromisso com os seus destinos. Terão que viver.
É possível que o principe, agora talvez Rei, encontre um dia o Fabinho num sinal de rua, fazendo malabares para ganhar uns trocados. E assim vão vivendo, cada um pro seu lado, sem poder trocar de vida. É lógico que isto não está certo: o Willian virá Rei Willian e Fabinho virar malabarista nos sinais de trânsito.
E a fadiga do casamento, o que tem haver com essa principesca?
Preciso explicar que o combustível da fadiga do casamento é a intimidade. A idade média dos casamentos, observada hoje em dia, é de 5 anos com muita boa vontade. Depois desse tempo a maioria se desfaz, deixando filhos, patrimônio, lembranças e amigos: tudo pra traz, quando não enfrentamos demandas pela pensões judiciais.
Tudo isso por causa da vilã, chamada intimidade. Ela desgasta qualque casamento, estimulando gradativamente a fadiga do material.
E os filhos vão pra lixeira, como esta matéria também irá se o editor fôr bem casado.
Há formas de evitar essa fadiga, alem dos métodos do Kama Sutra, aconselhamos:
1. Dormir em quartos separados, desde a lua de mel.
2. Morar em casas separadas, porém não muito próximas que não precise pegar uma condução, ou seja num lugar longe-próximo.
3. Ter, cada um, seu CPF e suas contas bancárias. Cada um controlando os seus negócios.
Adotando esses conselhos básicos o casamento vai durar de 10 a 15 anos, mas evite colocar cachorro na relação, porque ele sempre ganhará qualquer disputa do ou “ele ou eu”, sempre ele ganhará.
Se retardar a fadiga do casamento, o Padre poderá comemorar o fatídico: “até que a morte nos separe!”
E o casamento viverá!
Rio de Janeiro, 02 de maio de 2011
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