quarta-feira, 25 de maio de 2011

SOM, BARULHO E RATAZANAS

Plinio Sales

Uma das formas de tortura, muito usada na idade média e, até hoje, em civilizações em processo evolutivo cultural, é a tortura do som. Naturalmente do som alto, forte e vibrante. Se pode quebrar vidraças, porque não os tímpanos dos nossos ouvidos.

É torturante morar perto de locais que dão festinhas nos fins de semana. É a anti-lei do silêncio: só toca depois das 10 nos maiores decibéis inaudíveis dos Djs da hora.

Essa é a forma do mau som, agressivo e torturante. Se o réu ficar muito exposto, confessa tudo, inclusive seus defeitos morais.

Nas festas coletivas das minhas netas, com a participação alegre e desinibidas “teenages”, aprendemos acordados à noite inteira, a importância do nosso sossego do convento, com o seu silêncio sepulcral. O silêncio continuado, sem fim, monótono ao extremo, também pode ser uma forma de tortura. O som extremo e o silêncio profundo são irmãos siameses. Bethoven chegou a ficar totalmente surdo, por ouvir som em demasia, mas depois de surdo ainda compôs muitas sinfonias e outros trabalhos sinfônicos.

A tortura do silêncio continuado reduz também a capacidade auditiva por atrofia dos aparelhos da audição.

Entre os dois extremos existe a zona de conforto, onde podemos transitar com educação, sem estress, se movimentando com disciplina.

Nesta zona podemos nos concentrar nos clássicos, na nova MPB e ouvir o Vinícius, o Jobim, o Caetano e muitos outros que nos elevam e relaxam nas horas de lazer. Ha! “Esses moços, se soubessem o que eu sei, não amavam, não faziam barulho, nem passavam o que eu passei.” São os conselhos da experiência. Negar os malefícios do som, do cigarro, das drogas e similares é a forma de suicídio prolongada e dolorosa.

E as ratazanas, o que têm com isso? Apenas detestam o barulho e fogem das claridades.


Rio de Janeiro, 16 de maio de 2011

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