Plinio Sales
Onde passo vivo cantarolando letras musicais do Vinicius e do Tom, com saudosas emoções. Uma delas é o meu carro-chefe, já considerada uma marca registrada, que já me anunciam quando chego: “e por falar em saudades, onde anda você. Onde anda seus olhos que a gente não vê, onde anda esse corpo que me deixou louco de tanto prazer!” Essa é a minha trombeta e pedido de passagem pelas ruas sinuosas do Vidigal.
Está nos anais, que o Vinicius frequentava a praia do Vidigal, antes do Sheraton nascer, por conta de uma manobra do então prefeito Marcos Tamoio. O VM fez um poema, onde fala das suaves ondas do mar banhando os seios da sua namorada, limpando-os de areias.
Em suas canções e nas do Tom o amor está sempre presente. É maravilhoso ficar ouvindo suas letras e músicas, à luz de velas ou de qualquer abat-jour, tomando drinks, de preferencia um vinho tinto em qualquer lugar.
Ontem em reunião boêmica, sempre convocada pelo casal João e Marta, em frente ao bar do Carlinhos, meu ponto de encontro no Vidigal, tive a imensa satisfação de encotrar uma senhora, mãe de uma linda mulher, que parecia a reencarnação da Elizete Cardoso. E o melhor é que sabia cantar as velhas vivas canções. Me desafiou para fazer dueto em diversas canções que nos fazem lembrar as nossas saudades, nossas mocidades, nossas aventuras e também os nossos choros.
Lembramos do Lup, Orestes Barbosa, Cartola, Noel Rosa, Braguinha e outros tantos que nós da velha guarda cultuamos. O João chega a puxar canções inéditas, que só ele conhece toda a letra. A Marcella I, aluna do Nós do Morro, lembrou a letra de Barracão o carro chefe da Elizete Cardoso que era parecida com a bela Senhora cantora, que teve o primeiro filho aos 15 anos, com muito amor como ela conta. A filha bela, também presente, foi gerada quando já tinha 28 e muita experiência. Faziam uma bela dupla. Andei dando as minhas paletadas com a minha voz de tenor e nunca esquecendo o “e por falar em saudade....” Sei também de cor a letra de “as rosas não falam do Cartola que é hino nacional, principalmente quando cantrai dois verbos: “podias vir, para ver os meus olhos tristonhos e quem sabe viver os meus sonhos”. Quem conheceu Cartola diz que, nesta letra, ele estava incorporado, pois só Deus seria capaz de fazer tão bela letra.
A dona Elizete Cardoso chegou a se aventurar num fado da Amalia Rodrigues, por ter vivido com familia portuguesa, durante muito tempo. A D. Norma só orquestrando tudo, ajudando o Carlinhos que sempre ralhava: “deixe isso aí mãe, eu pego!”
E assim a tarde ia rolando, debaixo dos preparativos da feijoada para comemorar o dia das mães. Até que chegou alguém anunciando que traria o fogão que faltava. Foi difícil achar quem ia dar o Lombo, não sei porque esse preconceito de dar o lombo para a feijoada. Eu, ainda novo no clube, me ofereci para dar um presenta para ser sorteado para uma das mães, que depois achei injusto premiar só uma. Vou ver se corrigia isso, com alguma representante da Avon. Vou pensar no orçamento, mas mãe é sagrada merece tudo!
Sei que nessa feijoada, pretendo levar alguma cantora para saboerar velhas e vivas canções. Talvez a Deise Vieira se ela topar dar uma canja, ou melhor dar um caldinho de Feijão da feijoada.
Estaremos lá para participar da festa das Mães.
Rio de Janeiro, 02 de maio de 2011
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