quarta-feira, 4 de maio de 2011

MENSAGENS DO MAR

Plinio Sales


O poeta disse que o marinheiro ouviu do passarinho que vem ai bom tempo. Esse diálogo praticado entre o passarinho, o marinheiro e o mar é tão singular como andar pra frente. O mar é 3 vezes maior que a terra. O mar é igual um iceberg: só uma pequena parte é vista e conhecida. Em cima do mar se constrói muitas estradas em todas as direções, formando a perfeita logística para relações entre países. No interior do mar encontramos as ofertas para atender a todas as demandas das sociedades humanas e até a vegetal. A dupla mar e sol resolvem tudo e, foi por isso, que Deus os harmonizou como uma grande partitura divina. Se o sol se distanciasse alguns quilômetros e o mar se esvaziasse alguns metros, todo o precesso geoecológico seria completamente diferente.

E o grande mensageiro, entre os dois, é o vento. O vento que venta lá e o vento que venta cá. Promove as ondas, empurra a navegação, modifica o clima e as colheitas. Nesse concerto dos três parceiros: o sol, o mar e o vento, gira a imensa vida da humanidade. É uma floresta de vidas animal, vegetal e mineral.

As riquezas do mar são ilimitadas, desde o alimento, a moradia na superfície e sub-marina, até a medicina, as florestas marítimas, os rios marítimos e os peixes. Quando Jesus caminhou sobre o mar, quiz mostrar as ações que se pode fazer no mar, alem de pescar e navegar.

Recem se descobriu o pré-sal com grande estardalhaço, como reforço as nossas fontes energéticas, mas que bobagem se o próprio mar, por suas ondas, por seus ventos, por seus rios, ainda harmonizado com a energia do sol, oferecem a maior fonte de energia limpa do Universo. E os artistas do nada vão ao fundo do mar e descobrem o pré-sal, repetindo os feitos dos texanos aventureiros. Nada aprenderam nesses anos todos, embora os danos ao meio ambiente vão suicidar as sociedades de todos os tipos, confirmando o dito do Lord Keynes: “a todo prazo todos nós estaremos mortos!”

Mas desta minha varanda, deitado na rede, procuro conversar com o mar no decorrer da madrugada. O som da conversa é ameno e transcontinental. Recebo notícias dos paises que se localizam nas costas marítimas do Atlântico e, quando o vento sopra do outro lado, as vozes vem do Pacífico e de outros mares.

Com essas vozes sussurrentas se associam os recados dos passarinhos com os recados das sereias, o congraçar dos peixes com os golfinhos e outroas inúmeras fofocas marinhas. São invisíveis, mas focam nos demais sentidos, mostrando força, movimento e empurram de um lado pra outro.

Caimmi apreciava e cantava o mar lá do seu cantinho, por sua mínima ótica ao dizer: “o mar, quando quebra na praia...” e outras tantas reverencias ao mar e a sua rainha Iemanjá.

Nas ondas sonoras do mar, faço-me poeta. Poeta molhado com os salpicos das águas e verso e proso:

“Sou caminhante das suas águas,

imito o gesto divino,

mas não salvo ninguém, nem pesco movimentos escamosos,

sou apenas um amigo do mar.”

Mas, quando o sol aparece pelo do outro lado, anunciado pelo cantar do galo, apresso-me atraz de um cafezinho, mas nunca antes de exclamar bem alto:

BOM DIA SOL!

Engrossando as mensagens do mar.

Rio de Janeiro, 04 de maio de 2011.

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