Plinio Sales
Nesta area próxima ao Vidigal, existem centenas de amendoeiras. Em março, carregadas de amendoas. Em abril, começa a cair do pé. São mais de mil milhões nas árvores da faixa litorânea, do Leblon ao Recreio. As amendoas cobrem o chão de um amarelado doce.
Só no meu quintal são 10 amendoeiras de todos os portes, idades e grandes ramagens sombreadoras. Soltam milhares de castanhas por dia, as vezes (com pouca frequencia) na cabeça das visitas. Quando criança comia as castanhas cozidas e achava bom. Hoje nada tenho feito e não vejo ninguém fazer. Mas é evidente que Deus propõe alguma coisa com essas castanhas para alimento, fazer doce e farinha, extrair o óleo e sofisticar as castanhas. Talvez seja mais lucrativo aproveitar as castanhas do que catar latinhas, principalmente na época da safra das amendoeiras.
Como disse o filósofo, as árvores estão sempre de frente para você, não tem costas. Podemos abraça-las como se fosse nosso “sparring” dessa luta diária.
Na passagem para o outono, elas se despem completamente, mostrando seu esqueleto nu, sem folhas e sem frutos. Parecem tristes, mas é assim que a natureza age. É inexorável. Precisa cumprir o circuito verão, outono, inverno, primavera, verão, outono, inverno e assim continua per “seculum, seculorum”.
Quem ensinou a elas essa rotina? Só pode ter sido o Grande Criador ou um dos seus arquitetos.
É tudo muito perfeito e criativo. As folhas caem das árvores, como os filhos saem dos nossos lares. Vão cumprir um destino. Nada de livre arbítrio. Tudo já foi traçado e esquematizado.
Pisamos e varremos as folhas que caem das árvores, cuidamos e orientamos os filhos que se vão. De uma forma e outra, cumprimos nosso papel na natureza, a procura de uma sombra para descançar e achar o conforto.
Rio de Janeiro, 27 de abril de 2011
---------- Mensagem encaminhada ----------
ResponderExcluirDe: Gloria Sousa
Data: 4 de maio de 2011 18:54
Assunto: Artigo Porque as Frutas Caem das Árvores
Para: Plinio Sales
Plínio,
Que beleza deve ser, imagino as amendoeiras em flôr, eu criança correndo pelos campos me deliciando...
Me lembra a minha infância, uma infância feliz e desprendida do mundo.
Ter-se inspirado nas amendoeiras, é coisa divina...só Deus!
O Plínio, consegue se desprender das coisas materiais, para se concentrar e divagar pela
beleza da natureza.
Muito bom ter essa sensibilidade, e saber colocar para o mundo sua ótica!
Abs.
Glória