Plinio Sales
Na minha formação profissional, aprendi muitas coisas com os professores da vida, desde o primário na escola pública, no ginásio do meu tempo, antigo 91 e 99 (Pedro II), Faculdade Cândido Mendes, Conselho Nacional de Economia (Pós Graduação) com excelentes professores. Não virei sábio, mas sou bem melhor do que muitos palpiteiros de colunas de jornais, posso provar com os meus artigos nos meus blogs www.cemconselhosaopresidente.blogspot.com, www.poesiasdopaladino.blogspot.com e www.100flechadasnoalzheimer.com, a disposição para críticas.
Mas nesse longo caminho, quero lembrar uma das maiores figuras que já conheci. Foi meu grande professor na pratica da vida.
Na decada de 60, pouco tempo depois de formado, eu trabalhava como supervisor de custo da White Martins. Emprego conseguido por mérito e sem padrinho. Lá fiz boas amizades e com esperança de um dia ser diretor dessa multinacional. Havia algo que me deixava pertubado era uma pequena diferença de salário, corretamente pago, que faltava no final do mês e se acumulava nos créditos especiais, cartões de crédito, nas prestações e o peso de uma família com 5 pessoas: 4 filhos e uma amorosa mulher. Foi quando surgiu o Max Paskin, meu colega de faculdade, me propondo trabalhar na Paskin que produzia chapas de acrílico em Vigário Geral, com loja de vendas na Rua do Lavradio nº 180, na Lapa, Rio de Janeiro.
Recusei o convite, dizendo que a Paskin não teria condições de pagar o salário que eu pretendia que era algo em torno de R$ 8.000,00 reais, já que eu ganhava R$ 6.000,00 na WMSA. Ele não desistiu, disse que iria falar com o pai Sr. Luis Paskin que só conhecia em solenidades, formatura, sinagoga e etc.
Poucas semanas depois voltou, perguntando quanto eu ganhava e que estava autorizado a cobrir 5 vezes o valor que eu ganhava. Senti um forte suborno, mas era a salvação para as minhas angustias financeiras e da minha crescente família. Comecei a ver um mundo rosa, com o sonho da casa própria, o meu carro, passeios e outras delícias da classe média.
Enfim troquei o conforto da multinacional WMSA, monopolista de gases, pela aventura da Paskin acrílico de Vigário Geral, acreditando nos projetos do Max Paskin, jovem empresário com idéias.
Daquele momento até hoje, com a ajuda do Josue (Comunista-capitalista), minha participação (1/4) e a do José Murillo Montello Paraíso, criamos as bases para que hoje o Max Paskin se tornasse multimilionário. Lógico que houve alguns crimes nesse percurso, confirmando a tese do Honoré de Balzac de que no começo de toda fortuna tem um crime: veja o exemplo do EBX. Só que depois de milionário o Max esqueceu seus benfeitores.
Essa história veio até aqui por causa do patriarca Sr. Luis Paskin. Recebeu-me na empresa com aquele ar de refugiado de guerra. Era judeu russo, fugitivo da Guerra do Ucrânia, trazendo suas poupanças, sofridas com sangue, suor e lágrimas. Depois de me conhecer um pouco, passou a confiar em mim e me tratava como filho adotivo, com muita consideração. Foi por aí que aprendi minhas lições práticas de economista. Logo no começo na Paskin, era minha meta demonstrar competência e aplicar o máximo que aprendi de macro e micro-empresa, querendo justificar meu alto salário, se comparado com os salários chineses dos demais empregados.
No dia do pagamento semanal, o Sr. Luiz Paskin, nunca atrasava. Para ele o salário dos empregados era sagrado, com chuva ou sol, ele comparecia com os bolos de dinheiro de cada um, empilhados em cima da mesa, ajudado pela fiel e lulista Nicia, protagonista de várias estórias confidenciais no sotão da loja.
Com essa maneira, a pilha do meu salário humilhava aos demais empregados e me causava um tremendo desconforto. Era a maneira dele dizer: Sr. Plinio o Sr. ganha muito mais, portanto tem que produzir mais. Essa foi a primeira lição. Mas, a lição maior foi quando ele me chamou pra passear em Copacabana, monstrando alguns edifícios, onde tinha imóveis. Em cada um que passava, ele dizia que tinha comprado com o IVC-Imposto de Vendas e Consiguinações (Hoje ICMS); aquele outro com o Imposto de Renda, com o Imposto com Produtos Industrialiados etc. Moral da história: Dr. Plinio não queira me organizar demais, senão não posso poupar e comprar imóveis para os meus filhos.
Com isso, formou todos os filhos e deixou apartamentos para todos.
Dali por diante, esqueci os meus projetos fiscais e financeiros e adotei a formula do LP-38 do meu novo e competente professor Luis Paskin, cujos ensinamentos até hoje pratico moderadamente.
Logo depois, em reunião nos sábados, na Rua do Lavradio, comtemplados com almoços no alemão do lado, desenvolvemos o projeto da Paskin – Industria Petroquímicas para produzir a matéria-prima (monomero metacrilato de metila) que é um derivado de petróleo. Foi localizada em Aratu com Incentivo do Governo da Bahia e tecnologia japonesa. A partir dai o império do Max Paskin começou, com a ajuda inicial do Sr. Luiz com as últimas poupanças que trouxemos da Suissa. Foram os 80.000 dolares mais eficientes que já operamos. Em seguida veio a Metanol, Aratu, Sertemp (o caixa 2), a Usiba e tantas outras. Hoje o foco são imóveis, até por minha sugestão na virada do mercado de capitais, com a chegada do xerife na pessoa da Gemec do Banco Central.
Outros heróis participaram dessa saga: Amilcar Menezes, Roberto Algranti, Maria Eugenia, Linda e outros que á não me lembro.
À memória do meu ilustre professor Luis Paskin: Shallom !
Rio de Janeiro, 02 de maio de 2011.
---------- Mensagem encaminhada ----------
ResponderExcluirDe: ISRAEL J.
Data: 3 de maio de 2011 20:29
Assunto: RE: Artigo O Patriarca Paskin Shallom !
Para: Plinio Sales
Dr. Plinio Sales
Em resposta ao solicitado, homenagem ao dia das mães.... mães ????,.... aonde cabe tal descalabro ???
O anexo muito me intrigou.
Ainda não entendi se trata-se de uma homenagem agradecida, ou se dos arroubos deprecatórios de uma personalidade sublimada.
Se a intenção é enxovalhar a memoria de meu saudoso pai, meus sinceros pêsames.
Como bem deixou claro , imigrante trabalhador que aqui aportou descalço, desconhecedor do idioma local, muito labutou e muita fome passou para poder sustentar a familia.
Após anos de trabalho arduo, conseguiu amealhar o suficiente para instalar uma fundição no suburbio da Leopoldina.
E louco o suficiente para entregar suas poupanças e nome honrado na praça para a implantação de uma PETROQUIMICA na Bahia....
Louco o suficiente para encabeçar a implantação de um complexo petroquimico que gerou milhares de empregos diretos e indiretos neste nosso país.
Louco o suficiente para sofrer tres sérios infartos e tres safenas na perseguição destes objetivos.
Apartamentos em Copacabana ? Delirio tropical....
Somente um de fundos na Rua Raimundo Correa.....Aonde moravamos
E eu não herdei nenhum....
Eu que pouco convivi com V.Sa. sempre o tive em alta conta e o tratei cortezmente , assim como a seu irmão que comigo labutou por varios anos.
Mas o anexo me fez repensar se o objeto de minha apreciação não passa de mera peça de ficção dos meus arroubos juvenis, não condizendo em absoluto com a realidade que se me apresenta.
Cortezmente
Israel Paskin
Date: Tue, 3 May 2011 04:12:05 -0300
Subject: Artigo O Patriarca Paskin Shallom !
From: Plinio Sales
To: Israel Paskin
resposta crítica artigo Israel
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Plinio Sales
Data: 3 de maio de 2011 20:51
Assunto: Re: Artigo O Patriarca Paskin Shallom !
Para: "ISRAEL J."
ISRAEL, VOCE NAO ENTENDEU NADA, E A MINHA HOMENAGEM. ESTA ESCRITO. PORQUE VOCE NAO ESCREVE A SUA E CONTA A SUA VERSAO. VOU PUBLICAR ESSE DEPOIMENTO COMO UM SINGULAR ARROUBO, SEM NADA CONTRIBUIR PARA A MEMORIA DELE.. ELE FOI MEU HEROI E NAO CONTEI TODA A VERDADE. A SUA CONRIBUICAO FOI RELATIVAMENTE PEQUENA. VOCE FICOU COM A FATIA MENOR.
ABS
PLINIO
Amigos trabalhei na Paskin acrílicos na Rua do Lavradio 180peco por favor para me indicar onde posso confirmar meu tempo de servico na empresa ,pois não apareceu no meu CNIS SE PUDER ME AJUDAR AGRADECO IMENSAMENTE qualquer informação que possa me ajudar na mi há aposentadoria .desculpe a intromissão mais foi no momento minha única maneira de pedir ajuda .
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